O que a ciência já sabe sobre o matatabi (e por que o gato rói o palito)

O matatabi ficou famoso entre tutores por um motivo simples: muitos gatos que não ligam para o catnip se jogam no chão diante de um palito dessa planta. Por trás disso existe um conjunto de pesquisas recentes, boa parte feita no Japão, que ajudou a entender o que acontece com o gato. Este texto resume o que já se sabe, sem exagero, e o que isso significa para quem quer oferecer matatabi em casa.
O que é o matatabi
O matatabi (Actinidia polygama), também chamado de silvervine ou videira prateada, é uma trepadeira das montanhas frias do Japão, da China e da Coreia, parente do kiwi. No Japão, o uso com gatos é tradicional há muito tempo. No Brasil, chega sempre importado e seco, porque a planta não pode ser cultivada aqui, como explicamos em videira prateada: o que é e por que não é produzida no Brasil.
O composto que faz o gato reagir
Uma equipe da Universidade de Iwate, no Japão, liderada pela pesquisadora Reiko Uenoyama, isolou o principal responsável pela reação dos gatos ao matatabi: o nepetalactol, um composto da mesma família da nepetalactona do catnip, os iridoides. A planta tem ainda outros compostos da família, como a actinidina, que também atraem o gato.
O gato detecta esses compostos pelo olfato e pelo órgão vomeronasal, um receptor no céu da boca. O cheiro ativa no cérebro o sistema de recompensa natural, o circuito ligado a sensações de bem-estar. O resultado é o comportamento que todo tutor conhece: cheirar com insistência, esfregar o rosto e a cabeça, rolar, lamber e roer o palito. Dura poucos minutos e passa sozinho.
É um comportamento natural e passageiro. Os estudos não encontraram sinal de dependência, e o gato volta ao normal em poucos minutos.
A descoberta dos mosquitos
O achado mais comentado dessa linha de pesquisa foi outro. Os pesquisadores mostraram que o nepetalactol afasta alguns mosquitos. Quando o gato esfrega a cabeça e o corpo na planta, espalha um pouco do composto no pelo. Em testes, gatos com o composto no pelo atraíram menos mosquitos.
A hipótese dos cientistas é que esse comportamento pode ter ajudado os felinos a se protegerem de picadas ao longo da evolução, o que explicaria por que ele existe em tantas espécies, dos gatos domésticos aos grandes felinos. É uma explicação elegante, mas ainda em investigação. E não significa que o matatabi deva ser usado como repelente no seu gato: para proteger contra parasitas e insetos, a orientação é do veterinário.
Por que muitos gatos reagem ao matatabi e não ao catnip
Estudos que compararam a reação de gatos a diferentes plantas observaram que a resposta ao matatabi é bastante comum, e que muitos gatos que ignoram o catnip reagem a ele. Uma explicação provável é a mistura de compostos: o matatabi tem mais de um iridoide ativo, e um gato pouco sensível a um deles pode ser sensível a outro.
Isso tem uma consequência prática. Se o seu gato não reagiu ao catnip, não conclua que ele não liga para nada. Teste o matatabi antes. A comparação completa está em catnip ou matatabi: qual escolher.
Por que o gato rói e lambe tanto o palito
Outro estudo do mesmo grupo japonês observou um detalhe curioso: quando o gato mastiga e lambe as folhas e galhos de matatabi, a planta danificada libera mais compostos voláteis, e a mistura muda. Ou seja, ao roer o palito, o gato “renova” o cheiro que o atrai. Isso ajuda a explicar por que o palito prende a atenção por mais tempo do que um punhado de erva solta.
Para você, a dica prática é a mesma de sempre: quando o palito parece ter perdido a graça, raspe a superfície com uma lixa ou faca. A camada de fora perde o aroma primeiro.
Nem toda parte da planta é igual
Pesquisas que mediram os compostos em diferentes partes do matatabi mostraram diferenças grandes. O fruto seco, principalmente quando deformado por um inseto que se desenvolve dentro dele, costuma ter mais compostos ativos que o galho. As folhas também atraem, mas perdem o aroma mais rápido. Por isso você encontra matatabi em forma de palito (galho), de fruto seco e de pó, e cada forma tem uma intensidade diferente.
- Palito: cheiro mais suave e duradouro, bom para roer.
- Fruto seco: costuma ser o mais intenso.
- Pó: rende pouco de cada vez, bom para polvilhar num arranhador ou numa caminha.
Como esses estudos costumam ser feitos
Pode parecer difícil estudar o comportamento de um gato, mas os métodos são bem simples de entender. Em geral, os pesquisadores oferecem aos gatos pedaços de papel ou tecido impregnados com um composto isolado da planta e comparam com um material sem nada. Depois, filmam e contam quanto tempo cada gato passa cheirando, esfregando o rosto ou rolando. Assim dá para saber qual composto provoca a reação, e não só que “a planta” provoca.
Para a parte química, os cientistas extraem o óleo das folhas, galhos e frutos e medem quais compostos aparecem e em que proporção. Foi assim que se descobriu que a mistura muda de uma parte da planta para outra, e que muda de novo quando a planta é mastigada. Para a hipótese dos mosquitos, compararam quantos insetos pousavam em superfícies com e sem o composto. São desenhos de estudo simples, mas que permitem separar fato de achismo, que é exatamente o que falta em muita coisa que circula por aí sobre o assunto.
O que a ciência ainda não sabe
O volume de pesquisa sobre matatabi ainda é bem menor que o sobre catnip, porque a planta é asiática e só recentemente ganhou atenção fora do Japão. Faltam, por exemplo, estudos longos sobre o uso frequente ao longo da vida do gato e sobre a qualidade dos produtos que circulam no comércio. O uso tradicional de muitos anos no Japão não mostra sinais de problema quando o uso é moderado, mas vale o bom senso. Falamos disso em matatabi é seguro para gatos?.
Como oferecer, com base no que se sabe
- Sessões curtas: alguns minutos, depois guarde. O gato para de responder por um tempo depois de cada sessão.
- Intervalo de alguns dias: mantém a novidade.
- Produto bem conservado: cheiro perceptível, sem manchas de mofo, embalagem fechada.
- Com observação: nas primeiras vezes, fique por perto. Em casa com vários gatos, ofereça separado.
- Filhotes: muito novos costumam não reagir. Tente de novo mais tarde.
O matatabi é enriquecimento ambiental, um estímulo a mais na rotina do gato, ao lado de brincadeira, lugares altos e arranhador. Não é remédio. Se o comportamento do seu gato mudou de um jeito que preocupa, a referência é o veterinário que acompanha ele.
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Perguntas frequentes
O que faz o gato reagir ao matatabi?
Principalmente o nepetalactol, um composto da mesma família da nepetalactona do catnip. O gato detecta o cheiro e reage esfregando o rosto, rolando e roendo o palito por alguns minutos.
É verdade que o matatabi afasta mosquitos?
Pesquisadores japoneses mostraram que o nepetalactol afasta alguns mosquitos e que gatos com o composto no pelo atraíram menos insetos. Ainda é uma hipótese evolutiva em estudo, não um repelente para usar no gato.
Por que meu gato rói o palito de matatabi?
Ao roer e lamber, o gato danifica a planta e libera mais compostos voláteis, renovando o cheiro que o atrai. Por isso o palito prende a atenção por mais tempo.
Matatabi vicia?
Os estudos não encontraram sinal de dependência. O efeito passa em poucos minutos. O cuidado é oferecer em sessões curtas e com intervalos.


