Videira prateada (matatabi): o que é e por que ela não é produzida no Brasil

Equipe Pura · 7 min de leitura · 18 de janeiro de 2026

Por que o matatabi não nasce no Brasil — e o que isso significa pra quem quer vender o produto

Quem pesquisa “videira prateada” normalmente já ouviu falar que existe uma planta que mexe com o gato até mais do que o catnip. É verdade para muitos gatos. O nome é a tradução de silvervine, como a planta é conhecida em inglês, e no Brasil ela aparece quase sempre com o nome japonês: matatabi. A espécie é a Actinidia polygama, parente próxima do kiwi, nativa das montanhas frias do Japão, da China e da Coreia.

Aqui vai o que interessa para quem tem gato em casa: o que é a planta, em que forma ela chega até você, por que ninguém produz matatabi no Brasil e como oferecer ao seu gato de um jeito que funcione e seja seguro.

O que é a videira prateada

É uma trepadeira lenhosa, dessas que sobem em árvores e cercas. O apelido de “prateada” vem das folhas: na época da floração, parte delas fica esbranquiçada, quase metálica, como se alguém tivesse pintado a ponta com tinta prata. Dá para ver de longe no meio do mato. A planta dá flores brancas pequenas e um fruto alongado, parecido com um kiwi em miniatura.

Para o gato, o que importa está no galho, na folha e principalmente no fruto seco. Essas partes carregam compostos voláteis da mesma família química do que existe no catnip. É o cheiro que o gato detecta pelo focinho e pelo órgão vomeronasal, aquele que ele usa quando abre a boca de leve e parece fazer careta. A resposta costuma ser a mesma que a do catnip: cheirar com insistência, esfregar o rosto, rolar, lamber, às vezes dar umas mordidas no palito. Dura alguns minutos e passa sozinha.

A diferença que faz tanta gente procurar o matatabi: muitos gatos que não dão a menor bola para o catnip reagem a ele.

Não é todo gato, e ninguém sabe prever antes de testar. Mas é por isso que o matatabi virou o plano B clássico de quem comprou catnip e viu o gato cheirar, virar as costas e ir dormir. Se é o seu caso, vale ler também por que nem todo gato reage ao catnip (e por que está tudo bem).

Por que o matatabi não é produzido no Brasil

Essa é a pergunta que mais aparece junto com “videira prateada”, e a resposta tem duas camadas.

A primeira é legal e sanitária. A Actinidia polygama é do mesmo gênero do kiwi e pode hospedar doenças que atacam pomares de kiwi, entre elas o cancro bacteriano que já causou perdas pesadas em outros países. O Brasil tem kiwi comercial na Serra Gaúcha. Para entrar no país como planta viva, uma espécie precisa ter requisito fitossanitário definido pelo Ministério da Agricultura (MAPA), conforme a Instrução Normativa MAPA 25/2017, e esse requisito não existe para a videira prateada. Na prática: não há caminho legal para trazer a planta viva para cá. A regra protege uma lavoura inteira, e faz sentido que seja assim.

A segunda camada é o clima. A planta é de clima temperado frio e precisa de um inverno longo e rigoroso para completar o ciclo e brotar forte na primavera. Mesmo no Sul do Brasil, o frio não é suficiente para ela se comportar como no Japão. Então, ainda que fosse permitida, dificilmente daria bons galhos e frutos por aqui.

Por isso todo matatabi vendido no Brasil é importado já seco e processado. Nenhum produtor brasileiro colhe videira prateada, e desconfie de quem ofereça planta viva.

Em que forma o matatabi chega até você

Você vai encontrar principalmente três apresentações:

  • Palito (galho seco): o mais comum. O gato cheira, lambe e rói. Serve também como mordedor, e muita gente gosta porque o gato passa um bom tempo com ele.
  • Fruto seco inteiro ou em pedaços: costuma ter o cheiro mais forte. Aparece às vezes dentro de brinquedos de tecido.
  • Pó: fruto ou galho moído. Rende pouco de cada vez e funciona bem polvilhado num arranhador ou numa caminha que o gato anda ignorando.

Para entender em detalhe o que cada forma faz e como usar, o guia matatabi para gatos: o que é, como funciona e como usar com segurança vai mais fundo.

Como saber se o palito ainda está bom

Como a planta atravessa meio mundo até chegar aqui, a qualidade varia muito de um produto para outro. Alguns sinais simples ajudam:

  • Cheiro: ao quebrar ou raspar o palito, deve aparecer um aroma perceptível. Palito que não cheira a nada para você dificilmente vai empolgar o gato.
  • Aparência: casca inteira, sem manchas esbranquiçadas ou esverdeadas que lembrem mofo, sem cheiro de umidade.
  • Embalagem: fechada e bem vedada. O composto que atrai o gato é volátil e vai embora com o ar e a umidade.
  • Procedência: quem vende deveria saber dizer de onde vem o lote. Sem isso, você não tem como saber se recebeu a espécie certa.

Uma dica que funciona em casa: se o gato perdeu o interesse num palito antigo, raspe a superfície com uma lixa ou faca. A camada de fora perde o aroma primeiro, e por baixo ainda costuma ter.

Como oferecer ao seu gato

O jeito de usar é parecido com o do catnip, e a regra de ouro é a mesma: pouco e com pausa.

  • Ofereça por alguns minutos e depois guarde. Deixar o palito jogado o tempo todo faz o gato se acostumar e perder o interesse.
  • Um intervalo de alguns dias entre as sessões mantém a novidade.
  • Observe as primeiras vezes. Tem gato que fica agitado e brincalhão; tem gato que fica largado no chão. Os dois são normais.
  • Em casa com mais de um gato, ofereça separado no começo. A empolgação às vezes vira disputa.
  • Filhotes muito novos costumam não reagir, porque a resposta ao cheiro só amadurece com a idade.

O matatabi é enriquecimento ambiental: um estímulo a mais para o gato cheirar, explorar e brincar, principalmente para quem vive em apartamento. Não é remédio e não substitui brincadeira, arranhador e rotina. Se você percebe mudança de comportamento, apatia ou qualquer coisa estranha no seu gato, a referência é o veterinário que acompanha ele.

Videira prateada, catnip ou os dois?

Não precisa escolher. O catnip é a porta de entrada: fácil de encontrar, com efeito conhecido, e produzido aqui mesmo no Brasil. A Pura, por exemplo, planta e seca o próprio catnip em Campo Largo, no Paraná. O matatabi entra como alternativa para os gatos que não respondem ao catnip, ou como variação para quem responde aos dois e já se acostumou com um deles.

Alternar os estímulos ao longo da semana é uma forma simples de manter o interesse do gato. Um dia o palito de matatabi, outro dia um brinquedo com catnip, outro dia uma caixa de papelão nova. Se quiser entender o que a ciência já explica sobre esses dois, vale ler benefícios da catnip e do matatabi para os gatos.

Resumindo: videira prateada é o matatabi. É uma planta de clima frio, que não tem como ser produzida no Brasil e chega sempre importada e seca. Para muitos gatos, é o cheiro que faz o catnip parecer sem graça. Vale testar com calma, com um produto bem conservado, e observar como o seu gato responde.

Sugestão de tema

Que dúvida você quer ver respondida aqui no blog?

Não escreva nome, e-mail ou telefone. Não há resposta individual: a nossa equipe junta as dúvidas mais pedidas e elas viram artigo aqui. Para a saúde do seu gato, fale com o veterinário dele.

Conteúdo da Equipe Pura, produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela nossa responsável técnica antes de ir ao ar. Viu algo que não faz sentido ou quer sugerir um tema? Sugira aqui.

Perguntas frequentes

Videira prateada e matatabi são a mesma coisa?

Sim. Videira prateada é a tradução de silvervine, nome em inglês da Actinidia polygama, que no Brasil é mais conhecida pelo nome japonês matatabi.

Dá para plantar videira prateada no Brasil?

Não. A espécie não tem requisito fitossanitário definido pelo MAPA para entrar como planta viva, por risco de doenças do kiwi, e o clima brasileiro também não oferece o inverno rigoroso de que ela precisa. Todo matatabi vendido aqui é importado e seco.

Meu gato não reage ao catnip. O matatabi pode funcionar?

Pode. Muitos gatos que ignoram o catnip reagem ao matatabi, mas não todos. A única forma de saber é oferecer com calma e observar.

Com que frequência posso oferecer matatabi ao meu gato?

Sessões curtas, de alguns minutos, com intervalo de alguns dias entre elas. Assim o gato não se acostuma e o estímulo continua interessante.

Continue lendo

Tem uma dúvida?Sugerir tema