Matatabi é seguro para gatos? O que se sabe e o que ainda falta saber

Equipe Pura · 6 min de leitura · 4 de junho de 2026

Por que quase ninguém estudou o matatabi a fundo — e por que isso não é motivo pra não vender

Quem descobre o matatabi costuma fazer a mesma pergunta logo em seguida: isso é seguro para o meu gato? A dúvida é justa. O gato reage de um jeito intenso, a planta é pouco conhecida no Brasil e, quando se procura informação, aparece bem menos pesquisa do que sobre o catnip. Aqui vai uma resposta honesta: o que se sabe, o que ainda não se sabe e como oferecer com tranquilidade.

A resposta curta

O matatabi (Actinidia polygama) é considerado seguro para gatos quando oferecido em pequena quantidade e com intervalos. A reação que ele provoca é natural e passageira: o gato cheira, esfrega o rosto, rola, lambe e rói o palito por alguns minutos e depois volta ao normal. As pesquisas disponíveis não encontraram sinal de dependência, e o uso tradicional de muitos anos no Japão não mostra sinais de problema quando o uso é moderado.

Seguro não quer dizer “à vontade”. A regra do matatabi é a mesma do catnip: pouco, de vez em quando e com você por perto.

Por que existem poucos estudos sobre o matatabi

O catnip é estudado há décadas nos Estados Unidos e na Europa, onde a planta é comum. O matatabi é uma trepadeira das montanhas do Japão, da China e da Coreia, e só nos últimos anos ganhou atenção fora de lá. Menos pesquisa, nesse caso, reflete principalmente isso: uma planta de nicho, com pouco investimento científico fora da Ásia.

Pouco estudo não é o mesmo que estudo apontando risco. O que existe de pesquisa séria, principalmente da Universidade de Iwate, no Japão, explicou o mecanismo da reação: o nepetalactol, composto principal da planta, ativa no gato o sistema de recompensa natural do cérebro, e o efeito passa em poucos minutos. Resumimos esses achados em o que a ciência já sabe sobre o matatabi.

O que ainda não se sabe

  • Uso frequente por muitos anos: faltam estudos longos acompanhando gatos que usam matatabi com frequência ao longo da vida.
  • Diferenças entre gatos: ainda não se sabe bem por que alguns gatos reagem de forma mais intensa que outros, nem por que alguns ficam agitados e outros ficam largados.
  • Qualidade dos produtos: praticamente não há estudos sobre o matatabi que circula no comércio, que varia muito conforme a origem, a secagem e o armazenamento.

Esses pontos em aberto são o motivo de a recomendação ser sempre de uso moderado.

Os cuidados que fazem diferença

Quantidade

Um palito, um pedaço de fruto ou uma pitada de pó por sessão bastam. Gato que come muito material vegetal seco pode ficar com o estômago incomodado, como aconteceria com qualquer planta.

Frequência

Sessões de alguns minutos, com intervalo de alguns dias. Além de mais prudente, é mais eficaz: depois de uma sessão, o gato fica um tempo sem responder ao cheiro, e o estímulo constante faz ele perder o interesse.

Palito que se desmancha

O palito de matatabi é feito para ser roído. Fique de olho se ele começar a soltar lascas grandes ou pontiagudas; nesse caso, recolha e troque. Em gatos que mastigam com muita força, prefira o pó ou o fruto dentro de um brinquedo de tecido.

Qualidade e conservação

Como todo matatabi no Brasil é importado, a procedência importa. Evite produto com manchas de mofo, cheiro de umidade ou embalagem aberta há muito tempo. Guarde em pote fechado, longe do sol. Nunca ofereça planta viva que alguém diga ser matatabi: a espécie não pode ser cultivada no Brasil, e uma planta desconhecida pode ser outra coisa.

Casa com vários gatos

A empolgação às vezes vira disputa. Ofereça separado nas primeiras vezes e observe como cada um reage.

Quando não oferecer

  • Quando o gato está doente, se recuperando de algum procedimento ou sob tratamento, pergunte antes ao veterinário que acompanha ele.
  • Filhotes muito novos costumam nem reagir. Não há motivo para insistir; tente de novo quando ele crescer.
  • Gatas gestantes ou gatos idosos com alguma condição de saúde: na dúvida, converse com o veterinário antes.

E um lembrete importante: o matatabi não é remédio. Ele não trata medo, estresse ou qualquer problema de comportamento. Se o seu gato mudou de comportamento, está apático ou parece incomodado, quem pode avaliar é o veterinário.

Como saber se o seu gato está bem durante a sessão

O comportamento esperado é fácil de reconhecer: cheirar com insistência, esfregar o rosto e a cabeça, rolar de lado, lamber e roer, às vezes um pouco de baba. Tem gato que corre e ataca o brinquedo e tem gato que fica deitado, relaxado. Os dois jeitos são normais e passam em poucos minutos.

Fora do esperado seria vômito repetido, dificuldade para respirar, apatia que não passa ou qualquer coisa que te preocupe. Nesse caso, recolha o matatabi e procure o veterinário.

Três mitos que aparecem muito

“O gato fica fora de si”

Não. A comparação é comum porque a reação é intensa e parece estranha para quem vê pela primeira vez. Mas o que acontece é uma resposta natural a um cheiro, que passa em poucos minutos e não deixa efeito depois. O gato não fica dependente e não sente falta do matatabi quando ele não está por perto.

“Quanto mais, melhor”

Também não. Depois de alguns minutos, o gato para de responder ao cheiro, então oferecer mais não aumenta o efeito. Só aumenta a chance de ele comer demais e ficar com o estômago incomodado. Menos é mais, e com intervalo.

“Se o gato não reagiu, o produto é falso”

Nem sempre. Uma parte dos gatos simplesmente não reage ao matatabi, assim como acontece com o catnip, e filhotes muito novos costumam ignorar. Antes de culpar o produto, teste em outro momento do dia e raspe a superfície do palito para liberar o cheiro. Se mesmo assim nada acontecer, pode ser o seu gato, e está tudo bem.

Matatabi, catnip ou nenhum dos dois

O matatabi é uma alternativa excelente para gatos que não reagem ao catnip, e um bom complemento para os que reagem aos dois. Mas nenhum deles é obrigatório. Existem gatos que não respondem a nenhuma dessas plantas e vivem muito bem com brincadeira, caixas, arranhador e lugares altos. Se quiser entender a diferença entre as opções, veja catnip ou matatabi: qual escolher e o guia matatabi para gatos: como usar com segurança.

Oferecido com bom senso, o matatabi é só mais uma forma de deixar a vida do gato dentro de casa um pouco mais interessante.

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Perguntas frequentes

Matatabi é seguro para gatos?

É considerado seguro em pequena quantidade e com intervalos. A reação é natural e passageira, e as pesquisas não encontraram sinal de dependência.

Por que existem poucos estudos sobre matatabi?

Porque é uma planta asiática que só recentemente ganhou atenção fora do Japão. Pouco estudo reflete pouco investimento, não evidência de risco.

Com que frequência posso dar matatabi ao meu gato?

Sessões de alguns minutos, com intervalo de alguns dias entre elas. Assim o gato não perde o interesse e o uso fica moderado.

Quando devo evitar o matatabi?

Se o gato está doente, em tratamento ou tem alguma condição de saúde, pergunte antes ao veterinário que acompanha ele.

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