Benefícios da catnip e do matatabi para os gatos: o que a ciência explica

Equipe Pura · 10 min de leitura · 20 de outubro de 2025

O que a catnip e o matatabi fazem de bom pelo gato (além de deixá-lo eufórico)

Quase todo mundo que tem gato já viu a cena: o bicho cheira um pouquinho de catnip e vira outro. Rola, esfrega a cara, dá pulo, fica elétrico por alguns minutos. É divertido de assistir. Mas os benefícios da catnip e do matatabi vão além desse showzinho — eles fazem coisas boas pela rotina e pelo comportamento do gato, e vale entender o porquê antes de sair comprando qualquer saquinho de erva na prateleira.

A catnip, a famosa erva-dos-gatos (Nepeta cataria), é parente da menta. O que mexe com o gato é um composto chamado nepetalactona, que ele detecta pelo órgão vomeronasal — uma estrutura no céu da boca que capta substâncias químicas do ambiente. Só que tem um detalhe que pega muita gente de surpresa: nem todo gato reage. A sensibilidade é genética, hereditária, passa de pai pra filho igual cor de pelo. Boa parte dos gatos responde à catnip; o resto simplesmente ignora, cheira, vira as costas e continua a vida. Não é que o seu gato seja estranho ou “desligado”; ele só não tirou essa carta no baralho genético.

Catnip ou matatabi: por que os dois se completam

E é justamente pra esse gato “indiferente” que o matatabi (Actinidia polygama) entra em cena. Ele age por um caminho químico diferente da catnip — o composto principal é a actinidina, não a nepetalactona — e costuma funcionar exatamente nos gatos que torcem o nariz pra erva-dos-gatos. Por isso os dois se completam: onde um não pega, o outro pega. Se você tem mais de um gato em casa, é bem provável que um responda a um e outro responda ao outro. Testar os dois é a única forma de saber com qual bicho você está lidando.

O matatabi costuma ser vendido em forma de galho seco ou palito de madeira, e não em muda ou planta viva — no Brasil, o cultivo dessa espécie é restrito pelo MAPA (Ministério da Agricultura), porque ela pode hospedar uma doença bacteriana que afeta plantações de kiwi. Por isso o matatabi que chega até você vem de importação legal, e não de cultivo nacional. Isso não muda em nada o efeito sobre o gato; só explica por que você não vai achar essa planta à venda como muda de jardim.

Vale reforçar: a resposta que o gato dá — rolar, esfregar a cara, miar, ficar mais ativo por alguns minutos — é uma reação comportamental natural, passageira, que não vicia e não tem nada a ver com efeito de substância recreativa. É só um gatilho olfativo que ativa uma parte do comportamento felino ligada a caça e território. Passou o efeito, o gato volta ao normal e pode levar um bom tempo até reagir de novo com a mesma intensidade.

O que catnip e matatabi fazem de bom além da euforia

Os benefícios, na prática, vão além da farra dos primeiros minutos. Os dois estimulam o gato a se mexer — e gato parado, principalmente o de apartamento que não caça nada além da própria cauda, tende a engordar e ficar entediado, o que vira problema de saúde e de comportamento lá na frente (arranhar móvel, miar demais, brigar com o outro gato da casa). Um brinquedo com catnip ou matatabi puxa o instinto de caça e faz o bicho perseguir, morder, sacudir, gastar energia que ele não teria motivo pra gastar sozinho.

O matatabi tem ainda um bônus que pouca gente conhece: quando o gato morde o galho, ele raspa os dentes contra a fibra e isso ajuda a soltar um pouco da placa que se acumula ali. Não substitui escovação nem vai ao lugar de acompanhamento veterinário, mas é um estímulo mecânico que soma no dia a dia.

E os dois ajudam a preencher o que na área de comportamento animal se chama de enriquecimento ambiental: oferecer estímulos que ocupam a cabeça do gato, imitam desafios que ele teria na natureza (caçar, morder, perseguir cheiro) e reduzem o tédio. É diferente de dizer que a erva resolve ansiedade — não é essa a função dela, e ninguém deveria vender catnip com essa promessa. O que ela faz é dar uma válvula de escape natural pra energia e pro instinto que, sem estímulo nenhum, viram frustração acumulada.

Um exemplo do dia a dia

Pensa num gato de apartamento, sozinho boa parte do dia enquanto o tutor trabalha. Sem estímulo nenhum, ele dorme demais, belisca a ração por tédio e, à noite, quando o tutor chega, descarrega a energia acumulada correndo pela casa ou arranhando o que encontra pela frente. Um brinquedo com catnip oferecido em momentos certos — não o dia inteiro solto no chão — dá um motivo concreto pra caçar, morder e gastar aquela energia de um jeito que faz sentido pro instinto dele. Não resolve o tédio de fundo, mas ajuda a quebrar o ciclo.

Como oferecer no dia a dia

Dá pra oferecer de várias formas: brinquedo recheado, galho de matatabi pra morder, um pouco de erva polvilhada no arranhador, sachê pendurado, cobertor de brincar. O importante é a qualidade do que está dentro do produto — e é aqui que mora o erro mais comum do tutor.

Catnip fraca ou matatabi ressecado sem frescor não produz reação nenhuma, ou produz uma reação fraquinha, de poucos segundos. Aí o tutor acha que “meu gato não curte catnip”, quando na verdade o produto é que não prestava — perdeu o óleo essencial no caminho entre a colheita e a prateleira, ou ficou tempo demais numa embalagem mal fechada pegando umidade e luz. É a mesma lógica de um tempero que perdeu o aroma: ainda parece erva, mas não faz mais o que deveria.

SinalCatnip/matatabi de qualidadeProduto sem frescor
CorVerde-acinzentada, vivaAmarelada ou pardacenta
CheiroForte, característico, perceptível até por humanoFraco ou quase nenhum
Reação do gatoImediata, dura minutosAusente ou muito breve
EmbalagemA vácuo, sem ar dentroSaquinho comum, ar e luz passando

Erros comuns na hora de usar

Alguns erros aparecem direto na rotina de quem tem gato:

  • Oferecer demais, sempre: catnip e matatabi funcionam melhor quando não estão disponíveis o tempo todo. Uso constante tende a fazer o gato “cansar” do estímulo por um tempo.
  • Guardar mal: saquinho aberto, exposto a ar e luz, perde potência rápido. Depois de aberto, o ideal é fechar bem e guardar longe de calor.
  • Achar que todo gato vai reagir igual: como a sensibilidade é genética, insistir muito com um gato que simplesmente não responde não muda o resultado — é hora de testar o matatabi.
  • Confundir a reação com sedação: o gato fica agitado, não sonolento. Se o comportamento parecer estranho demais ou prolongado, o caminho é conversa com o médico-veterinário, não repetir a dose.
  • Achar que filhote e gato idoso reagem igual ao adulto: a sensibilidade à catnip costuma se manifestar mais tarde, e alguns gatos mais velhos reagem com menos intensidade. Não é sinal de problema, é variação normal.

A reação à catnip e ao matatabi é uma válvula comportamental — não é remédio, não substitui orientação veterinária e não deve ser usada como resposta pra problema de comportamento mais sério.

Quando vale procurar ajuda profissional

Enriquecimento ambiental com catnip e matatabi é ótimo pra rotina saudável, mas não resolve tudo. Gato que arranha demais o sofá, mia à noite inteira, briga com outro gato da casa ou muda de comportamento do nada precisa de olhar mais de perto — às vezes é território, às vezes é tédio mesmo, às vezes é outra coisa que só avaliação presencial identifica. A erva ajuda a compor o ambiente, não substitui esse diagnóstico. O médico-veterinário que acompanha o seu gato é sempre a referência quando algo foge do padrão, seja um comportamento estranho, seja uma reação que parece durar tempo demais.

Pra quem quer entender melhor a diferença entre as duas plantas e montar um kit de estímulos em casa, vale ler sobre o que catnip, matatabi e valeriana fazem de diferente no gato e sobre por que o tédio cobra a conta na saúde mental do gato. Se o problema em casa é sofá arranhado ou móvel destruído, tem um caminho prático em o que realmente resolve quando o gato destrói o sofá. E pra entender melhor como o gato percebe o mundo pelo nariz — inclusive a catnip —, vale este texto sobre o olfato felino.

Como saber se a catnip que você comprou é de qualidade

É aqui que entra o lado de quem planta e prepara essa erva: o gato só reage se a matéria-prima for boa. A Pura, por exemplo, trabalha com catnip com laudo de laboratório — 0,83% de óleo essencial com nepetalactona atestado pela Isomeria/UFPR, enquanto o mercado costuma ficar entre 0,3% e 0,6% — e embalagem a vácuo com validade de 2 anos, além de matatabi importado com procedência. É esse tipo de cuidado, do campo até o pacote fechado, que faz a diferença entre um gato que ignora o brinquedo e um gato que perde a linha com ele.

Se o cheiro do saquinho não te convence, se o gato reage muito fraco ou se o efeito parece durar segundos demais, o problema provavelmente não é o seu gato — é a procedência do que você comprou. Vale trocar de fornecedor antes de concluir que ele “não curte” catnip.

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Perguntas frequentes

Catnip faz mal para o gato?

Não, em quantidade normal e uso ocasional a catnip é segura. Se o gato apresentar reação muito fora do comum ou prolongada, o ideal é conversar com o médico-veterinário que acompanha ele.

Posso oferecer catnip e matatabi todos os dias?

Não é o ideal. Uso constante tende a deixar o gato menos sensível ao estímulo por um tempo, então o efeito diminui. Oferecer de vez em quando mantém a resposta mais forte.

Por que meu gato não reage à catnip?

A sensibilidade é genética e não afeta todos os gatos. Se o seu não reage à catnip, vale testar o matatabi, que age por um caminho químico diferente e costuma funcionar nos gatos indiferentes à erva-dos-gatos.

Filhote pode usar catnip?

A sensibilidade à catnip costuma aparecer mais tarde no desenvolvimento do gato, então filhotes muito novos podem simplesmente não reagir ainda. Não é motivo de preocupação, é só uma questão de tempo.

Perguntas frequentes

Meu gato não reage à catnip, ele tem algum problema?

Não. A sensibilidade é genética e uma parte dos gatos simplesmente não responde ao composto da catnip. Vale testar o matatabi, que age por um caminho diferente e costuma funcionar nesses casos.

Posso deixar catnip disponível o tempo todo pro gato?

Não é o ideal. Uso constante tende a deixar o gato menos sensível ao estímulo por um tempo; oferecer em momentos pontuais mantém a reação mais forte.

Catnip e matatabi fazem mal pro gato?

Usados como enriquecimento ambiental pontual, não. Mas se o comportamento do gato mudar muito ou parecer fora do normal, o caminho é conversar com o médico-veterinário.

Qual a diferença entre catnip e matatabi na prática?

A catnip ativa a maioria dos gatos via nepetalactona; o matatabi age pela actinidina e costuma funcionar até em gatos que não respondem à catnip. Muita gente usa os dois para cobrir os dois perfis.

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