O que a ciência já descobriu sobre o catnip e o seu gato

Por muito tempo, a reação do gato ao catnip foi tratada como curiosidade: o gato cheira, rola, fica bobo por alguns minutos e pronto. Nos últimos anos, laboratórios no Japão, nos Estados Unidos e na Europa passaram a estudar a planta a sério, e algumas respostas ficaram bem mais claras. Aqui vai um resumo do que a ciência já sabe, do que ainda é hipótese e do que isso muda na hora de oferecer catnip ao seu gato.
O que faz o gato reagir
O catnip, ou erva-de-gato (Nepeta cataria), produz nas folhas e nas flores um óleo essencial rico em nepetalactona, um composto da família dos iridoides. Esse é o gatilho. O gato capta o cheiro pelo nariz e também pelo órgão vomeronasal, um receptor que fica no céu da boca e que ele usa para “ler” cheiros especiais. Quando você vê o gato abrir a boca de leve depois de cheirar a erva, é esse órgão trabalhando.
Uma equipe da Universidade de Iwate, no Japão, estudou em detalhe o que acontece a seguir. O cheiro ativa no cérebro do gato o sistema de recompensa natural, o mesmo circuito ligado a sensações de bem-estar. Isso explica o comportamento de esfregar, rolar e parecer satisfeito. O efeito é curto, dura poucos minutos, e o próprio organismo coloca um freio: depois de uma sessão, o gato fica um tempo sem responder à erva.
A reação ao catnip é um comportamento natural e passageiro. Não é vício, não é dependência e não deixa efeito no dia seguinte.
Por que o gato se esfrega na planta
A mesma equipe japonesa levantou uma hipótese que ganhou muita atenção. Os compostos do catnip e do matatabi afastam alguns mosquitos. Quando o gato esfrega o rosto e o corpo na planta, espalha um pouco desses compostos no pelo. A ideia é que esse comportamento possa ter ajudado os felinos a se protegerem de picadas ao longo da evolução, o que explicaria por que ele se manteve em tantas espécies, dos gatos de casa aos leopardos.
É uma hipótese bem fundamentada, mas ainda em estudo. E vale deixar claro: isso não transforma o catnip em repelente para usar no seu gato. Contamos mais sobre essa pesquisa em catnip repelente de mosquito: funciona mesmo?.
Por que alguns gatos não reagem
Pesquisas com famílias de gatos mostraram que a sensibilidade ao catnip é herdada. Uma parte dos gatos simplesmente não tem essa resposta, e isso não tem relação com saúde, personalidade ou com a qualidade do cuidado que recebe. Filhotes muito novos também costumam ignorar a erva, porque a resposta amadurece com a idade. Gatos idosos podem reagir com menos intensidade.
Um achado importante para quem tem um gato que não liga para catnip: estudos compararam a reação de gatos a diferentes plantas e viram que muitos dos que ignoram o catnip reagem ao matatabi, e alguns à raiz de valeriana. Por isso vale testar outras opções antes de concluir que o seu gato não gosta de nada. A comparação está em catnip, matatabi e valeriana: a diferença.
Nem todo catnip é igual
Pesquisadores da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, acompanharam variedades de catnip ao longo de várias colheitas e mediram a composição do óleo essencial a cada corte. O resultado: a quantidade de compostos ativos muda de uma planta para outra, de uma colheita para outra e conforme o manejo. Dois pacotes com a mesma aparência podem ter cheiros bem diferentes para o gato.
Na prática, isso explica uma situação comum: o gato adorava o catnip de um pacote e ignora o de outro. Muitas vezes o problema não é o gato, é a erva. Alguns fatores pesam:
- Parte da planta: folhas e flores concentram mais óleo essencial que os galhos.
- Secagem: calor demais evapora o composto que interessa ao gato.
- Moagem: erva moída fina demais perde o cheiro mais rápido.
- Armazenamento: embalagem aberta, luz e umidade levam o aroma embora com o tempo.
É por isso que a Pura, que planta e seca o próprio catnip em Campo Largo, no Paraná, mede o óleo essencial em laboratório a cada lote. Para você, em casa, o teste mais simples continua sendo o nariz: catnip bom tem cheiro claro de erva ao abrir o pacote.
Catnip faz mal? O que a ciência diz
O catnip é considerado seguro para gatos quando oferecido em pequena quantidade. Não há evidência de que cause dependência. O cuidado é com excesso: gato que come muita erva seca pode ter o estômago incomodado, como aconteceria com qualquer planta. Outro ponto é que a empolgação de alguns gatos pode virar disputa em casas com vários gatos, então vale oferecer separado no começo.
O catnip também não é remédio. A ciência estuda o comportamento que ele provoca, não um efeito de tratamento. Se o seu gato mudou de comportamento, está apático ou parece incomodado, quem pode avaliar é o veterinário que acompanha ele.
O que a ciência ainda não sabe
Apesar do avanço, muita coisa continua em aberto. Ainda não se sabe exatamente quais genes decidem se um gato vai reagir ou não, nem por que a intensidade varia tanto de um gato para outro dentro da mesma casa. Também faltam estudos longos sobre o uso frequente ao longo da vida do gato, embora a prática de décadas não mostre sinais de problema quando o uso é moderado.
Outra pergunta aberta é por que alguns gatos ficam agitados e outros ficam largados e tranquilos com a mesma erva. Pode ter a ver com a quantidade que o gato cheira, com a personalidade dele ou com o momento do dia. Por enquanto, a melhor ferramenta continua sendo a sua observação: cada gato mostra, com o tempo, como gosta de aproveitar.
O que muda na hora de oferecer
Juntando o que as pesquisas mostram, algumas orientações ficam mais claras:
- Sessões curtas e espaçadas: o próprio gato para de responder depois de alguns minutos. Oferecer de novo logo em seguida não adianta.
- Erva de boa qualidade: se o gato não reagiu, confira a erva antes de desistir.
- Teste alternativas: se ele não reage ao catnip, o matatabi pode funcionar.
- Use a seu favor: uma pitada no arranhador ou na caminha nova ajuda o gato a se aproximar do que você quer que ele use.
- Paciência com filhotes: se o gato é muito novo, tente de novo daqui a alguns meses.
O catnip é enriquecimento ambiental: um estímulo a mais para o gato explorar, brincar e gastar energia, principalmente dentro de apartamento. A ciência não tirou a graça da cena do gato rolando no tapete. Só ajudou a entender melhor por que ela acontece e como deixá-la acontecer do jeito certo. Para entender melhor o sentido que está por trás disso tudo, leia sobre o poderoso olfato felino.
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Perguntas frequentes
Por que o catnip deixa o gato daquele jeito?
A nepetalactona do catnip é detectada pelo olfato e pelo órgão vomeronasal e ativa o sistema de recompensa natural do cérebro do gato. O efeito dura poucos minutos e passa sozinho.
É verdade que o catnip afasta mosquitos?
Pesquisadores observaram que compostos do catnip e do matatabi afastam alguns mosquitos e levantaram a hipótese de que esfregar-se na planta ajudaria o gato a se proteger. Ainda está em estudo.
Por que meu gato não reage ao catnip?
A sensibilidade é herdada e uma parte dos gatos não tem. Filhotes muito novos também costumam ignorar. Muitos gatos que não reagem ao catnip respondem ao matatabi.
O gato pode viciar em catnip?
Não há evidência de dependência. Depois de uma sessão, o gato fica um tempo sem responder à erva. O cuidado é oferecer pouco e com intervalos.


