Por que nem todo gato reage ao catnip (e está tudo bem)

Equipe Pura · 7 min de leitura · 30 de setembro de 2026

Por que nem todo gato reage ao catnip (e está tudo bem)

Você compra o brinquedinho, esfrega um pouco de catnip na mão, oferece com aquela expectativa de vídeo de internet. O gato cheira, dá as costas e vai dormir no sol. Se isso já aconteceu na sua casa, a primeira coisa a saber é que seu gato não está quebrado. Um gato não reagir ao catnip (Nepeta cataria, a planta que o mercado chama de erva de gato) é normal, esperado e explicado pela genética.

Vamos por partes: o que causa a reação, por que uma fatia real dos gatos simplesmente não tem essa resposta, e o que fazer quando o seu é um deles.

Por que alguns gatos reagem e outros não: o gene por trás da história

O catnip contém um óleo essencial com um composto chamado nepetalactona. Em gatos sensíveis, esse composto é captado pelo órgão vomeronasal (uma estrutura no céu da boca do gato, ligada ao olfato) e dispara ali uma cascata neurológica que resulta naquele esfregar de rosto, rolar no chão, lamber e, às vezes, uns minutos de pura bobeira.

Essa sensibilidade é herdada, um traço genético dominante que passa de pai/mãe para filhote, mas que não está presente em todo gato. Estudos publicados em revistas como o Behavioural Processes estimam que a proporção de gatos sem resposta gira entre 1 em cada 3 e 1 em cada 2, dependendo da população estudada. Não é uma minoria irrelevante, é praticamente uma moeda jogada para cima.

A resposta mais honesta para quem pergunta por que o gato não reage ao catnip é simples: ele nasceu sem o gene que liga essa resposta. Não tem nada a ver com a qualidade da erva, com a idade do bicho ou com ele ser “menos gato” que os outros.

Filhotes e catnip: por que não adianta testar antes da hora

Se você tem um filhote e ele ignorou solenemente o brinquedo com catnip, calma, pode não ser genética, pode ser só timing. A resposta à nepetalactona costuma amadurecer junto com o sistema olfativo e hormonal do gato, e a maioria só começa a manifestar sinais a partir dos 3 a 6 meses de idade. Testar catnip em filhotes muito novos e concluir que “esse aqui não tem o gene” é precoce. Dá pra tentar de novo depois que ele crescer um pouco.

Gatos bem idosos às vezes também reduzem a intensidade da resposta, possivelmente por causa da perda natural de acuidade olfativa que vem com a idade. Não é regra fixa, mas ajuda a explicar por que aquele gato que sempre enlouqueceu com o brinquedo, aos 15 anos, parece ter perdido o interesse.

Meu gato não reage: e agora, tem alternativa?

Tem, e essa é a parte boa. A resposta ao catnip depende de um gene específico, mas existem outras plantas que ativam vias sensoriais diferentes. Boa parte dos gatos que não respondem ao catnip responde a pelo menos uma delas.

Matatabi (silvervine)

O matatabi, ou Actinidia polygama, é uma planta originária da Ásia que contém outros compostos ativos, entre eles a actinidina, além de nepetalactol. A rota é diferente da do catnip, e por isso vários estudos observam que gatos insensíveis ao catnip acabam respondendo ao matatabi, inclusive alguns que nem tinham reação nenhuma antes. O plantio do matatabi é restrito no Brasil pelo MAPA, porque a planta é hospedeira de uma doença que ameaça o cultivo do kiwi. Por isso, o que existe no mercado nacional é importado de forma legal, não cultivado aqui.

Valeriana

A raiz de valeriana (Valeriana officinalis) é outra opção clássica, com um cheiro forte e característico que atrai boa parte dos gatos por uma via olfativa distinta da nepetalactona. Funciona em alguns, não em todos. Como tudo nesse universo de erva e gato, é questão de testar com calma.

Não reagir ao catnip é genética, não defeito, e existe mais de um caminho para o enriquecimento ambiental do seu gato.

Como testar sem frustração

Ofereça uma opção de cada vez, em um dia de calma, sem visita, sem barulho de obra. Dê alguns minutos de exposição livre: o gato decide se quer se aproximar ou não, ninguém deve forçar contato. Se não rolar reação nenhuma, espere alguns dias e tente a próxima planta. Vale ainda observar o horário, já que muitos gatos respondem melhor quando estão descansados, não logo depois de comer ou de um cochilo profundo.

Um exemplo prático ajuda a entender o processo. Imagine três dias de teste: no primeiro, um punhado de catnip seco espalhado sobre um tapete de tecido, longe da caixa de areia e do prato de comida, num canto silencioso da casa. Se o gato passar reto, sem cheirar, sem parar, isso já é uma resposta (ou melhor, a ausência dela) e não precisa ser repetido no mesmo dia. No segundo dia, um brinquedo recheado com matatabi, oferecido do mesmo jeito, sem forçar aproximação. No terceiro, um pedaço de pano com um pouco de valeriana ralada. Anotar o que aconteceu em cada teste, mesmo que seja só “cheirou e foi embora”, ajuda a enxergar padrão em vez de tirar conclusão apressada de um único dia ruim.

Outro ponto que muita gente esquece: o estado do material importa tanto quanto a planta escolhida. Catnip guardado aberto, exposto à luz e ao calor da cozinha por meses, perde óleo essencial e some com a nepetalactona antes mesmo de chegar ao gato. Um catnip que “não funcionou” às vezes só estava velho. Vale guardar em recipiente fechado, longe de luz direta, e não julgar a planta pela mesma embalagem que ficou meses aberta no armário.

E se nenhuma das três funcionar? Também está tudo bem. Enriquecimento ambiental, o conjunto de estímulos que dão ao gato a chance de exercitar comportamentos naturais como caçar, arranhar e explorar, não depende só de erva. Brincadeiras com varinha, arranhadores, caixas, alturas para subir e rotina de brincadeira interativa cumprem o mesmo papel para o gato que não tem o gene do catnip.

Catnip não é remédio, é estímulo comportamental

Catnip não é remédio nem tratamento para nada. É um estímulo de enriquecimento ambiental, e a resposta, quando existe, é comportamental e passa em poucos minutos. Se o seu gato está ansioso, agressivo ou com mudança de comportamento que te preocupa, quem avalia isso é o médico-veterinário que o acompanha, não a erva de gato.

A Pura é quem planta e seca o catnip que abastece boa parte do mercado brasileiro, mas isso é assunto para quem fabrica ou vende. Não muda a resposta, ou a ausência dela, do seu gato em casa.

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Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Meu gato pode desenvolver a sensibilidade ao catnip mais tarde na vida?

Não; se o gato nasceu sem o gene responsável pela resposta, ele não vai desenvolvê-la depois. Filhotes muito novos, porém, ainda não manifestam a reação mesmo tendo o gene, então vale testar de novo após os 6 meses.

Catnip faz mal para gatos que não reagem?

Não; a ausência de reação não indica problema de saúde nem faz mal ao gato. Ele simplesmente não tem a via genética que liga o cheiro à resposta comportamental.

Dá para misturar catnip, matatabi e valeriana no mesmo brinquedo?

Dá, e é uma forma de testar qual planta funciona sem precisar comprar vários produtos separados; o gato tende a se interessar pelo componente ao qual ele responde e ignorar o resto.

Gatos machos e fêmeas reagem de forma diferente ao catnip?

Não há diferença relevante ligada ao sexo; a sensibilidade é determinada pela herança genética, presente em machos e fêmeas na mesma proporção.

Fontes

Conteúdo informativo. Catnip e matatabi são enriquecimento ambiental para gatos, não medicamento.

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